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O Guia Definitivo: Patologias e Normas (NBR 16970) no Light Steel Framing

Uma análise técnica profunda sobre as manifestações patológicas no Light Steel Framing no Brasil, suas causas e como as normas NBR 16970 e NBR 15575 previnem problemas.

Por Engenharia Poli SteelPublicado em 20 de julho de 20264 min de leitura
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Engenheiros analisando projeto estrutural de Light Steel Framing, imagem ilustrativa

O Light Steel Framing (LSF) consolidou-se como o futuro da construção civil industrializada no Brasil. No entanto, sua adoção acelerada, muitas vezes acompanhada de mão de obra desqualificada e projetos negligenciados, ocasionou manifestações patológicas estruturais e estéticas. Neste artigo técnico, mergulhamos profundamente nas causas desses problemas e como o rigor normativo brasileiro atua na mitigação de riscos.

O Arcabouço Normativo: NBR 16970 e NBR 15575

Ao contrário do que ocorria há uma década, o LSF no Brasil possui regulamentação técnica consolidada. A publicação da série ABNT NBR 16970 ('Light Steel Framing — Sistemas construtivos estruturados em perfis de aço formados a frio') estabeleceu os requisitos para projeto, materiais e execução. Adicionalmente, toda edificação habitacional em LSF deve atender à NBR 15575 (Norma de Desempenho), que define critérios rigorosos para:

  • Desempenho Estrutural: Resistência a ventos, impactos e cargas gravitacionais.
  • Desempenho Acústico e Térmico: Níveis mínimos de isolamento entre ambientes e fachada.
  • Estanqueidade: Impermeabilidade absoluta contra a ação de águas pluviais e umidade do solo.
  • Durabilidade: Vida Útil de Projeto (VUP) mínima de 50 anos para a estrutura.

Análise Patológica 1: Fissuração em Juntas de Placas Cimentícias

Um dos problemas estéticos e funcionais mais relatados em fachadas de LSF é o surgimento de fissuras (microtrincas) nas juntas entre as placas cimentícias de vedação externa (Sistema EIFS ou Direct Applied). A literatura técnica e os relatórios periciais apontam três causas primárias para este fenômeno:

  • Ausência de Junta de Dilatação: A norma e as diretrizes dos fabricantes estabelecem limites de espaçamento para as juntas de dilatação, projetadas para absorver as movimentações térmicas e higroscópicas das placas. A supressão dessas juntas por motivos estéticos fatalmente gera fissuras.
  • Tratamento de Junta Inadequado: O uso de massas comuns (para drywall interno) ou telas de fibra de vidro de baixa gramatura em fachadas externas não resiste aos esforços de tração gerados pela movimentação da placa.
  • Falta de Compatibilidade Estrutural (Flexibilidade): Se a estrutura de aço não for devidamente contraventada (uso de fitas X, K ou painéis de OSB estrutural), a deformação do esqueleto metálico sob ação do vento se transfere para a placa, rompendo o rejunte.

Análise Patológica 2: Umidade e Comprometimento da Estanqueidade

A água é a maior inimiga silenciosa de qualquer edificação, mas no LSF, desvios na execução comprometem diretamente o sistema. A umidade pode surgir por condensação interna ou por falhas na barreira de água e ar (membrana hidrófuga).

1. Umidade por Capilaridade (Ascendente): Ocorre quando os perfis de base (guias inferiores) são instalados diretamente sobre o radier sem a aplicação de banda acústica e mantas impermeabilizantes. A umidade do solo sobe pelo concreto, entra em contato com as placas internas de gesso acartonado, causando mofo e degradação do acabamento.

2. Falhas na Membrana (Barreira de Água e Ar): A membrana hidrófuga deve permitir a saída do vapor de água interno, mas impedir a penetração da água da chuva. Sobreposições insuficientes, rasgos na montagem ou falta de fita de vedação nos vãos de esquadrias (flashing) permitem a infiltração de água na estrutura, umedecendo o OSB e a lã mineral, o que anula o isolamento térmico.

Análise Patológica 3: Corrosão da Estrutura Metálica

Mitos e verdades: 'O aço não vai enferrujar?' Segundo a NBR 16970-1, o aço deve ser revestido com zinco (galvanização) ou liga alumínio-zinco. A massa mínima de revestimento exigida pela norma (ex: Z275) é calculada para suportar a agressividade ambiental do Brasil por décadas.

A corrosão precoce só ocorre sob três condições de negligência severa:

  • Uso de Aço Fora de Norma: Perfis fabricados com chapa de aço preto ou galvanização inferior à Z275 (uso de perfis de drywall interno para função estrutural).
  • Cortes com Lixadeira (Disco de Corte abrasivo): O corte do perfil na obra deve ser feito com tesoura guilhotina ou serra policorte de baixa rotação. O uso de disco abrasivo queima a camada de zinco nas bordas do perfil, criando um ponto inicial de oxidação (ferrugem).
  • Acúmulo Crônico de Água: Se as falhas de estanqueidade mencionadas anteriormente criarem um bolsão de água permanente dentro da parede, nem a melhor galvanização resistirá indefinidamente.

Controle de Qualidade: A Solução Definitiva

A incidência de patologias no Light Steel Framing é quase nula quando o trinômio 'Projeto-Material-Mão de Obra' é respeitado. O sistema é industrializado; logo, exige mentalidade de indústria, e não de canteiro de obras improvisado.

Um projeto em LSF deve detalhar cada fixação, cada encontro de painel e a especificação exata de cada camada do 'sanduíche' da parede. A execução deve seguir os manuais de montagem das associações (como o CBCA) e o projeto aprovado. Ao exigir construtoras certificadas (PBQP-H) e a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), o cliente garante que sua edificação terá a durabilidade e o conforto que o LSF promete.

Engenharia Poli Steel
Equipe técnica
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Perguntas frequentes

Recomenda-se solicitar o 'As Built', os memoriais descritivos dos materiais (comprovando uso de aço estrutural Z275) e as ARTs dos projetos. Sem isso, você pode estar adquirindo uma obra executada com perfis não estruturais.

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